Ônibus sentido Botafogo. Olho pro lado. Num repente, oi, quanto tempo, você ta diferente. Você também está. Desde aquele dia, não é? Faz quanto tempo mesmo, hein? Lembro de fotos, fatos, caras, bocas. Seu sorriso, lindo, largo, perfeito me engolindo. Aquele detalhe que você nunca contou pra mais ninguém. Nem pra sua namorada, nem praquele seu amigo. Guardei comigo.
Foi setembro. Nunca tinha te visto, mas me olhou diferente naquele setembro. Diferente de qualquer homem, qualquer novela, qualquer verso. E entrou no meu mundo até estar tão dentro de tudo que parecia ter estado sempre ali. Tão intrínseco quanto meu próprio cheiro.
Contei pra todo mundo, pintei seu rosto de azul na parede do meu quarto. Te emoldurei comigo, fui ao inferno e voltei de branco. Te amei, te amei tanto, mesmo, muito e mais. Da unha encravada ao cabelo desgrenhado.
E percebo que, em algum momento, me tornei importante pra você também. Ouvi suas músicas, li seus livros, beijei suas costas, cheguei primeiro. Passeei com suas dores. Levei seus sonhos pra dormir comigo. E hoje acordo, todo dia, dia a dia, sem seus dedos nas minhas frases. Você foi a palavra primeira, a idéia que deu origem às entrelinhas.
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Transita tanto no real que às vezes até me perco nessa onda de fazer da vida um imaginar. Entende?
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