Admiro a paisagem de prédios
Arquitetura que conforta a dor do dia,
da vida, das ligações musculares
Peço outro café duplo,
tento ler meu destino no borrão
que sobra na xícara
É de propósito que não leio as palmas das suas mãos.
É maldade da minha parte não te dizer as horas.
Meu mau humor te nega
carinho, respeito e gentilezas
que ofereço a estranhos
Você merece esse cuidado às avessas
Suas escolhas que me batem na cara
decidem os seus e os meus próximos passos
Minha vingança é não ficar sabendo dos seus.
domingo, 15 de janeiro de 2012
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Depois dos Agudos
Torno útil o meu desfalque
Sinto saudades suas quando estamos testa a testa
Mas quando quebramos, volto a lembrar
que a falta que sinto é de mim
Sempre foi minha essa ausência
Pra prender, pra afastar,
pra fingir que pode ser
Sabendo desde o início,
que vou fugir, estragar
É desse espaço vazio que reclamo
Mas nada tento pra mudar
Tanto fiz, tanto fiz...
Escrevi, escrevi
o que agora tanto faz
Sobre o amor que acho que tive,
que foi menor a cada amor
Sobre vozes que confundo na memória,
cheiros que misturei no tempo
Sobre esses agudos que não lembro mais como alcancei
Esses rostos que já não conheço,
que colei nas paredes do quarto pra não deixar de adorar,
mas que só amei, só sofri
em versos dolorosos de tanta frustração.
__________________________________________________________
Esse é de 2005, talvez 2004.
Sinto saudades suas quando estamos testa a testa
Mas quando quebramos, volto a lembrar
que a falta que sinto é de mim
Sempre foi minha essa ausência
Pra prender, pra afastar,
pra fingir que pode ser
Sabendo desde o início,
que vou fugir, estragar
É desse espaço vazio que reclamo
Mas nada tento pra mudar
Tanto fiz, tanto fiz...
Escrevi, escrevi
o que agora tanto faz
Sobre o amor que acho que tive,
que foi menor a cada amor
Sobre vozes que confundo na memória,
cheiros que misturei no tempo
Sobre esses agudos que não lembro mais como alcancei
Esses rostos que já não conheço,
que colei nas paredes do quarto pra não deixar de adorar,
mas que só amei, só sofri
em versos dolorosos de tanta frustração.
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Esse é de 2005, talvez 2004.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Lá na Lapa
Lá na Lapa
ponto com
Bar do Adão
pastel dos deuses
Esperando milagre
que sente pra bater papo
Lá na Lapa,
pré feriado,
no Arco-Íris,
olhando o cara
de camisa branca
(nota nove),
esqueço-me
das dúvidas,
dos dias úteis,
da psicóloga
Lá na Lapa,
vivendo um misto
de nostalgia
e expectativa,
quem é que sabe
o que vai
me acontecer agora
ponto com
Bar do Adão
pastel dos deuses
Esperando milagre
que sente pra bater papo
Lá na Lapa,
pré feriado,
no Arco-Íris,
olhando o cara
de camisa branca
(nota nove),
esqueço-me
das dúvidas,
dos dias úteis,
da psicóloga
Lá na Lapa,
vivendo um misto
de nostalgia
e expectativa,
quem é que sabe
o que vai
me acontecer agora
sábado, 29 de outubro de 2011
Acaso
Enquanto você me diz não,
finjo que o resto do mundo
é feito de sim,
como se deixar a porta aberta
fosse mais que descuido
e nada nessa vida
se criasse só de acaso
finjo que o resto do mundo
é feito de sim,
como se deixar a porta aberta
fosse mais que descuido
e nada nessa vida
se criasse só de acaso
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Mastigação
Almoça mais cedo hoje, amor
E forra o estômago
pro que eu estou pra
cuspir em teus pés
Mas não se esforce muito
pra engolir
os pedaços de carne,
pois te darei
dias de trabalho com
mastigação de mágoas.
E forra o estômago
pro que eu estou pra
cuspir em teus pés
Mas não se esforce muito
pra engolir
os pedaços de carne,
pois te darei
dias de trabalho com
mastigação de mágoas.
domingo, 23 de outubro de 2011
Poeira
Só pelo prazer de andar
o chão sujo desses bairros do Rio,
volto de cabeça erguida
ao meu jogo de azar preferido,
fingindo que apostar em poeira
é o mesmo que ganhar em um
golpe de sorte.
Com fé de que o fundo do poço
me esconde um arco-íris,
cato nas calçadas e no meio das ruas
marcas de possibilidades,
resquícios de oportunidades,
pistas de futuros promissores
que eu sei que ainda vou perder.
o chão sujo desses bairros do Rio,
volto de cabeça erguida
ao meu jogo de azar preferido,
fingindo que apostar em poeira
é o mesmo que ganhar em um
golpe de sorte.
Com fé de que o fundo do poço
me esconde um arco-íris,
cato nas calçadas e no meio das ruas
marcas de possibilidades,
resquícios de oportunidades,
pistas de futuros promissores
que eu sei que ainda vou perder.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Caminho
A caminho do Largo de São Francisco
invejando os prédios
do centro da cidade
de dentro do ônibus
de janela aberta
- escancarada -
aclamando qualquer
rajada de vento
e pingo de chuva
que me bata na cara.
_______________________________________________________
Dedicado ao meu irmão, por estar sempre me ajudando a desbloquear.
invejando os prédios
do centro da cidade
de dentro do ônibus
de janela aberta
- escancarada -
aclamando qualquer
rajada de vento
e pingo de chuva
que me bata na cara.
_______________________________________________________
Dedicado ao meu irmão, por estar sempre me ajudando a desbloquear.
domingo, 16 de outubro de 2011
Lá
Que coisa mais bonita
essa que você escreveu.
Se eu ainda fosse assim
se eu ainda falasse de mim
se eu ainda cantasse em lá
se eu ainda soubesse ler a clave de fá
se eu ainda acreditasse nisso
se eu ainda precisasse de tudo isso
se eu ainda soubesse o que ser
se eu sentisse alguma coisa por você
Te escreveria os mais belos sonetos
e os sairia cantando pela casa.
essa que você escreveu.
Se eu ainda fosse assim
se eu ainda falasse de mim
se eu ainda cantasse em lá
se eu ainda soubesse ler a clave de fá
se eu ainda acreditasse nisso
se eu ainda precisasse de tudo isso
se eu ainda soubesse o que ser
se eu sentisse alguma coisa por você
Te escreveria os mais belos sonetos
e os sairia cantando pela casa.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Vida a dois
a gente que acorda
às cinco vive
cansado de ver
céu sem azul
dia desses era tão
cinzento que dava
vontade de correr
pro lado oposto
fugir da Ilha do Fundão
como quem foge
de casamento por
puro medo de virar
gente grande, que
sai de casa,
leva cachorro,
bolinhas homeopáticas,
armário inteiro e
passa a levar
vida a dois como
se fosse tão normal
às cinco vive
cansado de ver
céu sem azul
dia desses era tão
cinzento que dava
vontade de correr
pro lado oposto
fugir da Ilha do Fundão
como quem foge
de casamento por
puro medo de virar
gente grande, que
sai de casa,
leva cachorro,
bolinhas homeopáticas,
armário inteiro e
passa a levar
vida a dois como
se fosse tão normal
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